DA QUEDA AO DILÚVIO (Cap. 1) – A History of the Work of Redemption | Jonathan Edwards

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Assim que o Homem caiu Cristo entrou com a sua obra mediadora. Cristo já era o Mediador antes do mundo ter sido feito, ele já tinha sido encarregado desse ofício desde a eternidade, mas agora o tempo havia chegado:
“Ele, imediatamente se colocou entre uma santa, infinita e ofendida Majestade e a ofensora humanidade; e foi aceite nessa interposição; e assim a ira foi travada de avançar para o cumprimento da execução da terrível maldição em que o Homem trouxe sobre si mesmo.” (p. 21).
Assim, Edwards afirma que é manifesto que Cristo começou o exercício do ofício de Mediador entre Deus e os homens logo que o homem caiu, isto porque misericórdia começou a ser exercida logo que o homem caiu.
O autor afirma que o Evangelho foi revelado pela primeira vez em palavras na passagem de Génesis 3.15: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência* dela; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.”
Essas foram as primeiras palavras que trouxeram luz após o momento de trevas causado pela queda de Adão e Eva, a primeira promessa que foi feita, a primeira manifestação de esperança no meio da vergonha e da culpa.
 
Depois dessas palavras a prática do sacrifício foi estabelecida como um tipo do sacrifício de Cristo até que Ele viesse e se oferecesse como um sacrifício perante Deus. Assim, os sacrifícios não foram estabelecidos pela lei Levítica de Moisés, mas bem antes, pois encontramos Abel a sacrificar, e Abel estaria a reproduzir uma prática já estabelecida. Deus vestiu Adão e Eva, cobrindo a sua culpa, com peles de animais mortos em sacrifício. O facto de Deus tê-los vestido assim demonstra ser uma figura vívida deles estarem a ser vestidos com a justiça de Cristo. Estas roupas não foram feitas por eles, mas por Deus, da mesma forma que a nossa justiça não é adquirida por nós mesmos mas vem de Deus, é somente Ele quem veste a nossa alma nua.
 
Assim, a promessa feita em Génesis 3.15 foi a primeira coisa realizada na Obra da Redenção depois da Queda em relação ao ofício profético de Cristo e a instituição de sacrifícios foi a primeira coisa a ser feita em que Cristo se mostra no seu ofício sacerdotal. 
 
Adão e Eva foram desta forma os primeiros frutos da Redenção de Cristo.
 
Em seguida Edwards fala do primeiro derramar especial do Espírito Santo, o qual terá sido nos dias de Enos: “A Sete também nasceu um filho, a quem pôs o nome de Enos. Foi nesse tempo que os homens começarama invocar o nome do SENHOR.” (Gn 4.26). É a primeira vez que, possivelmente, os homens começaram a realizar culto público, ou a clamar pelo nome do Senhor em assembleias públicas. Algo novo estava a acontecer na igreja visível de Deus em relação à prática da oração, algo diferente de até então, e tal deve ter sido consequência de um derramar especial do Espírito de Deus.
 
“Vemos pela experiência que um derramar especial do Espírito de Deus é sempre acompanhado de grandes resultados, nomeadamente, um grande crescimento na prática da responsabilidade da oração. Quando o Espírito de Deus começa um trabalho nos corações dos homens imediatamente leva-os a invocarem o Seu nome.” (p. 34).
 
Assim, desde a Queda do homem até ao dia em que vivemos, a obra da redenção nos seus efeitos tem sido principalmente levada a cabo por derramamentos especiais do Espírito de Deus.
 
O aspeto seguinte que o autor destaca é a vida santa de Enoque, de quem se diz que andava com Deus e por isso foi elevado aos céus, afirmando que não há razão para se pensar que tenha havido um santo de maior eminência antes dele, e por isso a obra da Redenção foi elevada a um nível maior do que antes. Foi também no tempo de Enoque que Deus de forma como ainda não tinha feito, revelou de forma explícita a vinda de Cristo e a destruição dos seus inimigos: “A respeito deles também profetizou Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: O Senhor veio com seus milhares de santos, para executar juízo sobre todos e convencer a todos os ímpios de todas as ações de impiedade, que impiamente cometeram, e de todas as palavras duras que ímpios pecadores proferiram contra ele.” (Jd 14-15)
 
Ao mesmo tempo, por meio da trasladação de Enoque, vemos a primeira restauração das ruínas causadas em relação ao corpo. Outras almas já haviam sido redimidas, mas é a primeira vez que um corpo também foi redimido também.
No próximo capítulo será tido em conta o período entre o Dilúvio e a chamada de Abraão.
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A HISTORY OF THE WORK OF REDEMPTION – introdução | Jonathan Edwards

ESTE LIVRO PROMETE E MUITO!
 
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Este livro promete e muito! Por isso vou dar-me ao trabalho, a fim de reter o mais possível, de fazer uma ficha de leitura por cada capítulo. Só a Introdução já é qualquer coisa de outro mundo, o que não é difícil, porque se trata de Jonathan Edwards. Ainda assim, sabendo da qualidade do autor, só a introdução foi muito além das minhas expectativas, estou desejando entrar no primeiro capítulo. Convido-vos a fazerem o mesmo!
 
Edwards na introdução, a fim de colocar as bases para o assunto que vai tratar, usa o texto de Isaías 51.8: “Pois a traça os roerá como uma roupa, e o bicho os comerá como se fossem lã. Mas a minha justiça durará para sempre, e a minha salvação, por todas as gerações.”
 
A partir desse versículo, situado no seu contexto, Edwards fala do trabalho da salvação (redenção) por parte de Deus em favor do seu povo e vai, numa frase, fazer a declaração que norteará todo o livro: “O trabalho da Redenção é uma obra que Deus conduz desde a queda do Homem até ao fim do mundo.”
 
Edwards insere o trabalho da Redenção dentro desses dois limites históricos: a queda e o fim do mundo.
 
Em seguida o autor fala do sentido da utilização do termo Redenção, afirmando que o trabalho da redenção é por vezes entendido num sentido mais restrito, referindo-se à aquisição da salvação, pois a própria palavra significa a compra do resgate. Nesse sentido, o dia da ressurreição de Cristo é o dia em que Cristo terminou o trabalho da Redenção, ou seja, o momento em que o preço foi pago.
Ao mesmo tempo o trabalho da Redenção deve ser visto de forma mais ampla, compreendendo tudo o que Deus realiza e opera a fim de alcançar a obra da Redenção, ou seja, não só a aquisição da Redenção, mas também os trabalhos preparatórios para essa aquisição e a aplicação bem sucedida da mesma.
 
Toda a obra da Redenção é uma só obra, um único propósito, onde se encaixam diferentes dispensações e obras, onde a Trindade está ativamente a trabalhar. – Gosto muito do destaque que Edwards vai sempre dando à Trindade!
 
Se por um lado o trabalho da Redenção acontece no período de tempo entre a Queda e o fim do mundo, Edwards ao mesmo tempo afirma que as obras da criação, antes da queda estavam a ser realizadas por Deus a fim de servir a Providência de Deus na Obra da Redenção. O autor dá alguns exemplos, eu colocarei aqui apenas um: a criação do céu era já para a habitação dos redimidos – “Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;” (Mt 25.34).
Nesse sentido, Edwards afirma: “(…) quando se diz que a obra da Redenção é levada a cabo desde a Queda do homem até ao fim do mundo, não se quer dizer que tudo o que foi feito em favor da obra da Redenção aconteceu apenas desde a Queda. Nem se pretende dizer que não existirão frutos desta obra depois do fim do mundo. Os maiores frutos de todos acontecerão depois disso. (…) os frutos desta obra são frutos eternos.” (p. 8).
 
Para terminar o capítulo introdutório Edwards lista de forma breve as coisas principais que são alcançadas por meio da obra da Redenção:
1. Colocar todos os inimigos de Deus debaixo dos seus pés, a fim de que a bondade de Deus finalmente surja, triunfante sobre todo o mal.
2. Restaurar todas as ruínas causadas pela Queda, especialmente junto dos eleitos.
3. Reunir todas as coisas em Cristo, nos céus e na terra, ou seja, os eleitos.
4. Aperfeiçoar e completar a glória de todos os eleitos de Cristo.
5. Glorificar a bendita Trindade de forma excelsa.
 
No fim o autor apresenta a estrutura do livro que abordará a História da Redenção, dividindo-o em três partes:
I- Da Queda até à encarnação de Jesus;
II- Da encarnação de Cristo até à sua ressurreição;
III- Da ressurreição de Cristo até ao fim do mundo.
Vamos devorar o livro?

“O Pastor Imperfeito” de Zack Eswine

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Primeira leitura do ano concluída.
Em “O Pastor Imperfeito” lemos o que muitos sabem afirmar sobre os outros, mas poucos afirmam sobre si mesmos.
Em muitos aspetos identifiquei-me com o autor. Zack Eswine ao expor a alma dele, parecia que estava a descrever a minha com uma exatidão que às vezes incomodava, ao expor os seus erros parecia estar a descrever com palavras cirúrgicas o que eu não conseguiria articular tão bem, por falta não só de conseguir transformar ideias soltas em frases claras, mas pela falta de coragem de admitir as minhas fraquezas.
Não poucas vezes acontece o seguinte fenómeno: todos sabem que sou imperfeito, eu sou é o último a admitir, não talvez em palavras, mas na forma de agir e reagir. Porque afinal o pastor tem de ser o Super Crente, seja para os outros, ou seja na sua própria visão, e encarna em si o síndrome do Messias, sendo vítimas do imediatismo, da pressa, do consertar todos, do querer brilhar e aparecer, do saber tudo, do estar em todo o lugar para todos.
É um livro que pela forma como despe a nossa alma nos leva à humilhação e ao mesmo tempo ao alívio que a liberdade da confissão traz.
Da mesma forma que muitos consideram o livro “O Pastor Aprovado”, de Richard Baxter, como um livro imprescindível para o ministério, eu considero este também. Quem o ler antes de estar no ministério talvez não seja tão beneficiado. Quem já estiver dentro, há poucos ou muitos anos, especialmente há poucos, como eu, será forçado a colocar o “pé” no chão e a olhar para si mesmo com uma honestidade necessária e por vezes dura, mas estando nas mãos de Deus, restauradora.

Amigos e colegas pastores, se não leram, está o convite feito.

Pode ser adquirido aqui:

Portugal: http://loja.editorafiel.pt/260-o-pastor-imperfeito.html?search_query=pastor+imperfeito&results=142

Brasil: https://www.editorafiel.com.br/igreja-e-ministerio-pastoral/658-o-pastor-imperfeito.html?search_query=o+pastor+imperfeito&results=1

Precursores da Reforma em Portugal – Os Jesuítas e o seu desserviço (Cap. V)

"Die Inquisition in Portugall" por Jean David Zunner
“Die Inquisition in Portugall” por Jean David Zunner

A Universidade de Lisboa havia sido transferida de Lisboa para Coimbra, por ordem do rei D. João III, a qual trouxe resistência por parte dos docentes dessa instituição, que se recusaram a mudar-se de cidade.

D. João III foi então aconselhado por Diogo Gouveia (ver aqui), de forma a contornar a situação da não concordância com os mestres de Lisboa, a dar 50 bolsas para enviar jovens portugueses para estudarem Teologia em Paris. Matricularam-se assim, em 1527, vinte e oito portugueses na Universidade de Paris.

Em 1547 de forma a estabelecer a Universidade de Coimbra, João III nomeou André de Gouveia, acusado de Luterano pelo seu tio (conforme vimos no capítulo anterior, ver aqui), para organizar o Colégio Real. Assim, para a docência André escolheu e convidou mestres prestigiados e de alta competência. Afigurava-se um brilhante futuro para o ensino em Portugal, no entanto algo lamentável acontece e frustra essa possibilidade. Em 1540, estabelecera-se a Companhia de Jesus, “instituição devotada à Contra-Reforma, que pretendia apoderar-se e dirigir o ensino e à qual eram altamente suspeitos os mestres formados nas Universidades da Europa, normalmente espíritos cultos e abertos às novas doutrinas e à busca da Verdade.” (p. 76).

Este espírito chegou a Portugal com a vinda dos jesuítas que logo espalharam a ideia do perigo das convicções protestantes e humanistas serem ameaça real vinda de professores vindos da Europa. Isto levou à expulsão dos mestres franceses e à possa da Universidade de Coimbra por parte dos jesuítas.

Além de tomarem posse das escolas, os Jesuítas também quiseram destruir a reputação dos mestres. Uma das vítimas foi Diogo de Teive (c. 1514 – d. 1569), que foi um dos bolseiros enviados a Paris. Acusaram-no de luterano, por proferir frases escandalosas, acusaram-no também de comer carne em tempo inapropriado e de ter convivido em França com hereges. Diogo de Teive foi preso em 1550 e foi ordenada uma busca à sua biblioteca, onde encontraram a obra de Calvino “Instituição da Religião Cristã”. Foi maltratado mas reconciliou-se com a Igreja e voltou ao Colégio das Artes, sendo até reitor ainda antes da Universidade ser entregue por D. João III aos jesuítas.

Outro professor brilhante era o Algarvio, de Portimão, João Fernandes Costa (c. 1511 – 1578), também ele bolseiro enviado a França. Fez Teologia, Grego e Leis, recebeu as insígnias doutorais na Faculdade de Direito Cesário na Universidade de Paris, fez parte da docência do Colégio de Guiena, em Bordéus. Em 1550 foi preso sendo acusado de heresia, de possuir uma Bíblia de versão francesa e obras de Clemente Marot.

 

 

George Buchanan por Arnold Van Brounckhor
George Buchanan por Arnold Van Brounckhor

André de Gouveia também nomeou para professor Jorge Buchanan (1506-1582), considerado o melhor classicismo escocês da sua época. Depois de André ter morrido, os jesuítas que já estavam à espreita, prenderam Buchanan e o entregaram à Inquisição de Lisboa, acusando-o de heresia. Depois de maltratado pela Inquisição, em 1551, assinou uma abjuração, e devido a essa renúncia alguns afirmam então que Buchanan não seria reformado. Mas se não o era, durante o tempo em que foi maltratado as suas convicções foram ganhando forma, pois uma vez liberto e já na Escócia a sua posição manifesta-se, ao ingressar em 1560 a Igreja Reformada da Escócia, onde exerceu o cargo de moderador da Assembleia Geral.

Estes e outros mestres foram perseguidos e assim o ensino em Portugal foi escurecido pelos jesuítas.

(ficha de leitura do livro “Precursores da Reforma em Portugal” de Eduardo e Joel Ribeiro)

Precursores da Reforma em Portugal – Família Gouveia (cap. IV)

Colégio Santa Bárbara
Colégio Santa Bárbara

Diogo de Gouveia, nasceu em 1471 em Beja e foi estudar para Paris em 1490, onde fez doutoramento. Em 1507 foi nomeado reitor da Universidade.

Na Europa que borbulhava de ideias de progresso e onde os ideais da Reforma se iam plantando, Diogo de Gouveia era fechado a qualquer mudança, um católico fanático, adversário de qualquer reformador.

O rei D. João III encontra em Diogo Gouveia um aliado às suas ideias obscuras e fechadas. Dessa relação sobrevieram consequências: perseguição aos judeus e Tribunal da Inquisição. Foi também por indicação de Diogo Gouveia que os Jesuítas vieram para Portugal, causando todos os estragos frutos da intolerância cega que serviam.

D. João III
D. João III

Se com Diogo Gouveia a relação do rei era boa, já o mesmo não se pode dizer da relação com os  professores da Universidade de Lisboa, várias hipóteses são colocadas em cima da mesa para estas dificuldades. Devido a estes problemas, em 1537, D. João III move definitivamente a Universidade para Coimbra, tirando de Lisboa a Universidade. Alega-se que tal mudança tenha ocorrido para benefício do ensino, no entanto tal argumento é fraco, pois como beneficiaria o ensino saindo da capital? Coimbra não tinha uma biblioteca nem as estruturas necessárias para a Universidade, o reitor deu, inclusive, aulas nos seus aposentos pessoais.

Os mestres de Lisboa não gostaram da decisão e recusaram-se a ir para Coimbra, à excepção de Pedro Nunes, devido ao elevado salário que receberia. Assim, pela falta de mestres, D. João III procura-os fora do país, Diogo Gouveia então sugere ao rei de disponibilizar 50 bolsas para enviar  estudantes portugueses para Paris, para o Colégio Santa Bárbara, que o próprio Diogo Gouveia dirigia. Tal proposta foi bem aceite pelo rei e vários estudantes portugueses foram estudar para a instituição dirigida por Diogo Gouveia.

André de Gouveia (1497-1548) era sobrinho de Diogo Gouveia e fez o seu doutoramento no Colégio Santa Bárbara (dirigido por Diogo). Em 1533 foi nomeado reitor da Universidade de Paris, cargo que o seu tio Diogo já havia também exercido. Em 1534 deixa a docência do Colégio Santa Bárbara indo para um colégio em Bordéus, deixando o seu tio Diogo bastante chateado.

A relação de Diogo Gouveia com os seus sobrinhos André e António não foi boa, eram suspeitos, pelo tio, de serem luteranos, e por isso foram odiados. Em Bordéus, André destacou-se, indo para lá estudar vários alunos portugueses, os quais eram muito bem recebidos por André de Gouveia. D. João III acaba então por convidar André para dirigir o Colégio das Artes em Coimbra, convite este aceito, levando consigo professores humanistas vindos de Bordéus. Todas estas decisões deixavam o tio Diogo Gouveia muito contrariado.

Real Colégio das Artes de Coimbra
Real Colégio das Artes de Coimbra

Não demorou para os jesuítas levarem D. João III a associarem a entrada do humanismo a Portugal com a veiculação do protestantismo, e assim começaram a desenhar estratégias para colocarem os humanistas franceses para fora e eles mesmos se apoderarem do Colégio das Artes, o que veio a acontecer em 1555. Foram feitas acusações forjadas pelos Jesuítas aos mestres do Colégio das Artes, os “quais estariam naturalmente imbuídos das doutrinas reformadas que circulavam na Europa” (p. 69). André de Gouveia acaba por não acompanhar todo este processo porque vem a falecer em 1548.

Marcial de Gouveia, irmão de André, estudou com Diogo Gouveia, o Velho, em Paris, seguindo depois para Lyon, onde também estudou, indo depois para Itália, e volta por fim a França, onde lecciona por quatro anos. Marcial esteve também em Basileia, onde se encontrou com Erasmo. Acabou por ir dar aulas no Colégio Real, em Coimbra, destacando-se aí como uma grande figura intelectual. A 5 de Julho de 1551 recebe uma ordem de prisão, por ordem do Cardeal-Infante, que mandou que examinassem a sua livraria. Nessa busca encontraram na biblioteca de Marcial livros proibidos, incluindo obras de Erasmo, o que foi suficiente para que se prendesse o lente do Colégio Real. Marcial tinha sido denunciado por dois amigos com quem viveu.

Nas confissões que fez falou do seu percurso académico e das suas andanças pelos centros de cultura europeus e como chegou a Coimbra a convite do rei. Confessou também comer carne em dias que não podia e que não jejuava por questões de má disposição, bem como afirmou também não ouvir missas completas por conta de suas fraquezas.

Marcial afirmou também ter estado e ter partilhado de uma refeição e de uma conversa sobre as Escrituras com Melanchton em Friburgo e relativamente aos livros encontrados em sua casa disse que os tinha oferecido o irmão. Confessou também ter estado com Erasmo em Basileia. Declarou-se ainda autor de um trabalho contra Lutero.

De tudo o que confessou disse que se arrependia e pedia perdão. Fruto dessas confissões foi repreendido pela Inquisição e pôde sair em liberdade. Foi assim sufocado pela intolerância e pelo medo esta figura portuguesa que poderia ter influenciado de forma tão positiva a nossa cultura.

Outro membro desta família Gouveia, é António (1510?-1566), natural de Beja, irmão de André e de Marcial, sobrinho de Diogo Gouveia. Foi ele um dos portugueses que se matriculou, em 1527, pela primeira vez na Universidade de Paris, através do seu tio Diogo.

António, tal como André, eram suspeitos a seu tio, que os considerava luteranos. António passou por vários lugares na Europa (Toulouse, Avignon, Lyon, Paris), e nunca regressou a Portugal. António de Gouveia foi simpatizante das doutrinas da reforma de Lutero, tal como seu irmão André e recusou os excessos ortodoxos de seu tio Diogo.

Estes três irmãos, André, Marcial e António, foram acusados de luteranismo, o que nunca negaram.

(ficha de leitura do livro “Precursores da Reforma em Portugal” de Eduardo e Joel Ribeiro)

Precursores da Reforma em Portugal – Damião de Góis (cap. 3)

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Entre os lusos do passado temos alguém ilustre, que muito andou pelas cortes europeias, que foi amigo íntimo de Erasmo de Roterdão e conheceu, conversou e partilhou inclusive um jantar com Lutero e Filipe Melanchton.

Damião de Góis (1502-1574) era filho de Rui Dias de Góis, o qual era um nobre a serviço da rainha D. Leonor. A mãe era D. Isabel Gomes de Limi, natural de Alenquer, terra natural também de Damião. O pai falece cedo, vindo Damião a integrar a corte de D. Manuel I e em 1518 torna-se moço de câmara. Tal integração na corte permitiu-lhe viver perto do monarca e participar da vida da corte, assistindo a grandes cerimónias, conviver com grandes personagens, marinheiros e navegadores, diplomatas e outras pessoas igualmente importantes.

A corte de D. Manuel I era a mais famosa da Europa na altura, onde muito bem se comia e se vivia. Foi na corte que Damião de Góis assistiu às representações dos autos e farsas de Gil Vicente, entre elas o “Auto da Barca do Inferno” (1516-1517), tinha Damião 15 anos.

Também na corte, Damião fez amizade com D. João (o futuro D. João III), que tinha a mesma idade e com D. Henrique, dez anos mais velho, que viria a ser o conhecido cardeal-rei. Essa amizade viria a revelar-se útil anos mais tarde.

Quando D. João III subiu ao trono nomeou Damião de Góis como escrivão para a feitoria de Flandres, onde o mercado de Portugal se abastecia dos mais variados produtos e onde também se vendiam as especiarias que os navegantes portugueses traziam do Oriente. Vai assim o nosso personagem para Antuérpia ocupar esse posto com 23 anos de idade.

Em Antuérpia aprendeu o latim e desenvolveu-se em outras áreas, e começou a corresponder-se com personagens de destaque da intelectualidade europeia. Estudou na Universidade de Lovaina, teve aulas em Paris, Basileia e Pádua numa Europa sacudida pelo Renascimento e pela Reforma. Foi nesse tempo que se relacionou com Erasmo, com Melanchton, Lutero, Guilherme Farel, cardeal Bembo e Inácio de Loiola.

Enviado à Polónia pelo rei D. João III, no regresso, em cerca de 1531, Damião faz um desvio e passa por Vitemberga, onde visita Melanchthon e Martinho Lutero. Os três sentam-se à mesa numa pousada e jantam juntos trocando conversas interessantes. Os autores afirmam que Damião terá ouvido Lutero pregar num domingo de Ramos, mas só compreendeu as citações em latim, pois não sabia ainda o alemão.

Lutero e Melanchton
Lutero e Melanchton

Dois anos depois, em 1533 volta a Portugal, sendo aí nomeado tesoureiro da Casa da Índia, nomeação que não o agradou e pede que seja retirado desse cargo, pedido que foi aceito. Assim Damião volta à Europa e vai a Friburgo, onde fica na casa de Erasmo durante quatro meses e desenvolve uma amizade chegada com o humanista, sendo por consequência influenciado pelas suas doutrinas. Damião no seu percurso de estudos vai a Estrasburgo e a Genebra, centros importantes da Reforma.

Em 1538, em Lovaina, casa com Joana van Hargen, holandesa, filha de um membro do conselho do imperador Carlos V.

Damião de Góis vai se tornando cada vez mais uma figura intelectual de destaque na Europa, sendo o maior humanista português, sendo fortemente admirado, mas não só. Em Portugal não foram só os sentimentos nobres que se nutriram pelo humanista português, mas começaram a surgir invejas e ódios.

Damião de Góis vem a desenvolver uma amizade com um bispo etíope enviado como embaixador a Portugal, chamado Zaga Zabo. Ambos tiveram conversas e discussões sobre os diferentes costumes e tradições cristãos da Etiópia. Os pontos essenciais eram comuns, já outros nem por isso. Os cristãos etíopes sofreram influências judaicas (guardavam o sábado e a circuncisão) e islâmicas, outros aspetos do cristianismo etíope já eram mais próximos do Evangelho do que o catolicismo: não aceitavam a idolatria e  permitiam o casamento dos clérigos.

Assim Damião interessou-se pela causa dos etíopes, sendo-lhes muito tolerante e intercedendo junto de Paulo IV a favor da unidade do cristianismo e da tolerância face aos diferentes setores dentro do cristianismo. Nesse mesmo sentido escreveu duas obras em latim (uma delas dedicada a Paulo III) que receberam bom acolhimento europeu, mas o mesmo não se pode dizer em Portugal. Uma das obras foi apreendida em Portugal pelo Santo Ofício. O amigo de Damião, cardeal D. Henrique, inquisidor-mor, deu a notícia ao autor com palavras amigas que demonstravam a amizade entre ambos semeada no passado da infância. O humanista português não se agradou da censura e contestou a decisão, contestação essa que foi condenada, mas ainda assim D. Henrique demonstra apreço pelo pensador português, o que denota a notoriedade de Damião, pois não era hábito existir tanta cordialidade quanto a tais assuntos no Portugal tenebroso de então.

Um acontecimento vai atrair mais invejas ainda contra Damião de Góis, quando em 1545 é convidado a exercer o cargo de aio do infante D. João. O confessor do infante, o jesuíta Simão Rodrigues, não viu isto com bons olhos, pois tinha convivido com Damião em Pádua. Aconteceram conversas acesas sobre os temas que estavam em alta na Europa, tal como a Reforma, mas o jesuíta era avesso a essas “novidades” doutrinárias. Assim foi dar início ao fim do nosso pensador humanista, ao fazer uma denúncia no Palácio da Inquisição em Évora, acusando-o de herético e luterano.

Palácio da Inquisição em Évora
Palácio da Inquisição em Évora

Dessa primeira denúncia não resultou grandes consequências para Damião de Góis, a não ser o afastamento do cargo exercido como aio do príncipe. Não desistindo, a 24 de Setembro de 1550, o Jesuíta volta a fazer outra acusação. No entanto não foi dessa que o processo avançou, o que, segundo os autores, deixa os historiadores perplexos, sobre o que teria travado esse avanço sob as circunstâncias da época. Afirmam os autores que terá sido por influência do inquisidor frei de Jerónimo, que era tio de Góis.

No meio de todo este processo Damião não sabia de nada. As acusações eram verdadeiras, ainda que feitas com má fé.

A gota de água que fará transbordar tudo é o momento em que o cardeal D. Henrique, nomeia Góis como guarda-mor da Torre do Tombo, em 1558 e pede-lhe que escreva uma crónica de seu pai, o rei D. Manuel. Esta foi uma forma de compensar Góis pelo prejuízo causado pela apreensão do livro. A gota de água está em que nas crónicas era hábito sobrevalorizar-se as qualidades do rei e da corte em detrimento do rigor histórico, minguando os aspetos menos bonitos da atividade de pessoas de mais destaque da corte. Mas Damião de Góis não era homem para habituais comportamentos, usou de certa prudência na redacção, mas não se submeteu a tais distorções históricas. Mesmo com prudência muitos foram os nobres que se sentiram ofendidos ao ponto de o acusarem. Quando chegou às mãos do cardeal D. Henrique, Damião teve de fazer ajustes na crónica e omitir alguns aspetos menos positivos, saindo assim uma edição corrigida.

Crónica de D. Manuel I
Crónica de D. Manuel I

Em 1563 morrera o tio de Góis, que o protegia, e as acusações feitas devido à Crónica, prosseguiram, chegando às mãos de D. Henrique o processo contra o humanista português avançou. A partir daí tudo andou rapidamente, e até o genro de Góis, Luís de Castro, depõe contra o nosso personagem. O que levou a tal comportamento contra o sogro terão sido interesses ligados à família. Damião já estava preso nas masmorras. Foi ouvido dezoito vezes e nunca soube o motivo da sua prisão. Pediram-lhe “que confessasse tudo o que praticara contra a nossa fé católica, para poder ser merecedor da misericórdia da Santa Madre Igreja, que ela usa com os verdadeiros confidentes penitentes.” (p. 57).

A partir daí Damião passa a fazer a sua defesa de forma a fugir à violência da Inquisição. Deu pormenores das suas relações com luteranos e demonstrou a sinceridade na maneira como ocorreram essas relações com os vultos da Reforma, “não nega os contactos feitos, somente os explica.” (p. 59).

Outros vieram fazer acusações, afirmando que Damião levava uma vida folgada, que comia carne em dias não permitidos, que o próprio tinha-lhes falado dos reformadores e que na casa do acusado comiam e bebiam estrangeiros e cantavam coisas que não se entendiam. Vários vieram depor contra o pensador português movidos pela inveja de forma a acrescentarem alguma coisa às acusações. Mas não foram só essas más almas que se envolveram no processo, também houve quem se arriscasse e procurasse defender honestamente o humanista português.

Damião de Góis continuava preso, procurando confessar tudo de forma a poder aliviar a sua situação, mas o efeito era contrário, e a saúde ia piorando, chegando a estar num estado deplorável.

Em 1572, no dia 16 de Outubro, sai a sentença, sendo provadas as acusações, pediram então que abjurasse dos erros heréticos cometidos e Góis foi confiscado de todos os seus bens. Além disso ficaria perpetuamente preso no Mosteiro da Batalha. No entanto, por motivos desconhecidos, Damião de Góis voltou a sua casa a Alenquer, mas a 30 de Janeiro de 1574 aparece morto, caído na lareira.

Recentemente,  em 1941, aquando das obras na Igreja de Santa Maria da Várzea em Alenquer, procedeu-se à exumação dos ossos de Góis e aí percebeu-se que se tratou de um homicídio, pois os peritos verificaram que o crânio tinha uma ruptura que só poderia ser feita por uma agressão de terceiros.

Não se pode considerar Damião de Góis um protestante, mas foi um homem que se desenvolveu e se alimentou dos pensamentos do humanismo e da reforma, o que o torna num cristão progressista, um precursor da Reforma.

(ficha de leitura do capítulo 3 do livro “Precursores da Reforma em Portugal”)

Precursores da Reforma em Portugal – Gil Vicente (cap. 2)

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No final do séc. XV, início do séc. XVI temos um vulto que muitos de nós encontrou nas mesas da escola básica: Gil Vicente. Têm sido milhares os alunos que têm estudado o “Auto da Barca do Inferno”, mas igualmente os milhares que ignoram as influências que este erudito nacional recebeu.

Gil Vicente (1475? – 1536?) foi ourives, poeta e dramaturgo. Os autores colocam alguns temas polémicos quanto aos dados biográficos desta personagem emblemática. O primeiro está relacionado com o ano de nascimento: 1452, 1470 ou 1475. A data predileta será a última. Relativamente à terra natal também não há unanimidade (Barcelos, Lisboa ou Guimarães), no entanto a maioria aponta para Guimarães como o berço de Gil Vicente.

Outra questão está relacionada com a sua vocação. Em 1502 Gil Vicente terá entrado como ourives para a corte da rainha D. Leonor, saindo das mãos do artífice a famosa obra de arte “Custódia de Belém”, considerada a obra prima da ourivesaria portuguesa. O problema que os autores relatam deve-se ao facto de Gil Vicente se ter também destacado na literatura, o que para muitos críticos “seriam duas qualificações distintas, dois artistas com o mesmo nome.” (p. 26).

Custódia de Belém
Custódia de Belém

Os autores salientam que um dos aspetos na obra de Gil Vicente que mais surpreende os comentadores é a sua cultura bíblica, não só dos Evangelhos que facilmente poderia ser obtido na tradição. A rainha D. Leonor havia pedido uma tradução da obra de Ludolfo da Saxónia “Vita Christi”, obra que contribuiu para um melhor conhecimento do Novo Testamento por parte do poeta português, conhecimento esse que veio a ser reforçado com o pedido de tradução para português, por parte da mesma rainha, dos livros de Atos dos Apóstolos, Tiago, Pedro, João e Judas. É possível assim que Gil Vicente tenha aumentado o seu conhecimento das Escrituras graças a estas edições. Mas a cultura bíblica de Gil Vicente vai além, pois em suas obras cita o livro de Génesis, os Profetas e os Salmos. Não se sabe ao certo onde o autor adquiriu tal cultura, mas é facto que o autor utiliza e cita com fidelidade as Escrituras.

Gil Vicente vai acabar por afirmar-se como crítico do seu tempos e cultura, censurando várias classes poderosas de sua época, desde nobres até ao clero, incluindo o Papa. Na sua mais famosa obra, o “Auto da Barca do Inferno”, podemos encontrar vários diálogos, tais como:

Diabo: Em que esperas ter guarida?

Fidalgo: Que deixo na outra vida

              quem reze sempre por mim.

Diabo: Quem reze sempre por ti?!…

            hi hi hi hi hi hi!…

            Embarca – ou embarcai…-

            que haveis d’ir à derradeira!

            Mandai meter a cadeira,

            que assim passou vosso pai…

Neste diálogo é evidente a desaprovação de Gil Vicente à doutrina da oração pelos mortos.

Noutro diálogo o diabo diz ao arcebisbo: “Os minguados, pobres e desamparados, cujos dinheiros vós lograstes, desejosos, esfomeados, e os dinheiros cerrados, em aberto os deixastes.”

Nem o Papa foi poupado nos diálogos elaborados por Gil Vicente. Para tais críticas e censuras era necessária muita coragem, ainda que no final da obra o Papa, o Imperador, o Rei, o Cardeal, o Duque, o Arcebispo, o Conde e o Bispo façam uma oração e Cristo os leve consigo. Tal final pode parecer incoerente com o resto da obra, mas Gil Vicente sabia que terreno estava a pisar e usou-se de precaução, no entanto as críticas estavam feitas.

Os autores lançam a questão: “Seria Gil Vicente um herético?”. Para responder a esta pergunta mostram a opinião de vários críticos, que o apontam como um erasmita, ou alguém que aprendeu com Lutero, ou ainda como um lutador por uma reforma religiosa.

No entanto aquando da redação dos Autos mais fortemente anticlericais de Gil Vicente ainda não se teria tomado conhecimento das obras de Erasmo e ainda menos de Lutero. Os autores concordam com o facto de lhe chamarem “erasmita” pelo facto de Gil Vicente se opor mais à corrupção do clero do que às doutrinas de Roma.

Ainda assim, Gil Vicente recebeu a influência de um nome marcante: Jerónimo Savonarola, que em Florença pregou contra a decadência moral com a qual se deparava, e acabou sendo sentenciado pelo Papa à fogueiras, pelas suas doutrinas reformadoras. Essa influência é visível na sua obra: “Auto da Cananeia”.

Lutero afixara as suas 95 teses em 1517 e os principais tratados com as doutrinas básicas da Reforma foram publicados em 1520. Os principais autos anticlericais de Gil Vicente foram publicados entre 1516 e 1519, não podendo assim ter sido influenciado por Lutero. No entanto há um auto onde é possível ver-se a influência de Lutero, apresentado no inverno de 1531, no paço do embaixador português em Bruxelas – “Jubileu de Amores”. Nesse auto Gil Vicente adere ao primeiro tema da contestação de Lutero – a doutrina e venda de indulgências. A essa representação assistiu também o representante do Papa, Jerónimo Aleandro, núncio apostólico junto de Carlos V. Jerónimo Aleandro era inimigo de Lutero, que em Worms dirigiu a acusação contra Lutero, fazendo de tudo para que Carlos V publicasse o édito da condenação do reformador alemão.

Logo no início de 1532 Jerónimo Aleandro fez chegar ao Papa queixas da apresentação a que assistiu, o que trouxe consequências para o poeta português, o qual ficou ausentado da corte real por três anos, ficando preso num mosteiro entre 1534 e 1535.

Na sua última obra (“Floresta de Enganos”) Gil Vicente não fica calado e critica a injustiça a que foi acometido.

Gil Vicente manifesta a sua fé nestas linhas:

“Fé é amar a Deos, só por ele,

quanto se puder amar…,

por ser ele singular

nam por interesse dele.

E se mais queres saber: 

crer na madre igreja santa, 

e cantar como ela canta, 

e querer o que ela quer…”

Os autores afirmam que qualquer luterano ou erasmita subscreveria tal afirmação. Gil Vicente tinha as suas convicções doutrinárias mas não as quis discutir.

O ourives, poeta e dramaturgo português viria a falecer entre o final de 1536 e o início de 1537. A Inquisição chega a Portugal logo a seguir à morte de Gil Vicente, se tivesse vindo antes as suas obras não teriam sido permitidas e muito se perderia lamentavelmente.

Os autores afirmam: “Gil Vicente não chegou a ser um cristão reformado, mas foi um cristão esclarecido, um cristão progressista na linguagem dos nossos dias. Se tivesse vivido num país onde fosse possível fazer opções, então teria sido um pioneiro da Reforma em Portugal.” (p. 41).

(Ficha de leitura do 2º Capítulo do livro “Precursores da Reforma em Portugal” de Eduardo e Joel Ribeiro)

cristão esclarecido, um cristão progressista na linguagem dos nossos dias. Se tivesse vivido num país onde fosse possível fazer opções, então teria sido um pioneiro da Reforma em Portugal.” (p. 41).